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Notícias / Estado

Bolha de calor cresce e pode trazer 40ºC nos três estados do Sul

Uma grande massa de ar quente se reforça no interior da América do Sul e o calor muito intenso a extremo alcança o Sul do Brasil

Data de publicação: 22 de setembro de 2023
Hora: 07:00h
Créditos: ESTAEL SIAS
Fotos: ROSINARA FERREIRA
Fonte: MetSul Meteorologia



Uma bolha de ar extremamente quente, conhecida tecnicamente como cúpula ou domo de calor, começa a ganhar força entre o Paraguai e o Centro-Oeste do Brasil. As máximas, que hoje à tarde passaram dos 40ºC no Centro-Oeste, se elevam ainda mais nesta sexta e em especial durante o fim de semana, quando muitas cidades da região e também do Sudeste do Brasil terão marcas acima de 40ºC com registros até de 42ºC a 44ºC.

A influência desta bolha de ar excepcionalmente quente vai se estender também ao Sul do Brasil e os seus efeitos já se fizeram sentir hoje com marcas muito altas durante a tarde na Metade Norte do Rio Grande do Sul.

O pior do calor no Sul do Brasil, porém, vem nos próximos dias. Nesta quinta, estações particulares e da Secretaria da Agricultura indicaram máximas de 36,5ºC em Porto Xavier, 36,2ºC em Santa Rosa, 35,6ºC em Porto Vera Cruz, 34,3ºC em Teutônia, 34,2ºC em Guarani das Missões, 34,1ºC em Colinas e em Três Coroas e 34,0ºC em Santo Ângelo. A tendência é o calor aumenta no Sul do Brasil.

Nesta sexta-feira, o ar muito quente se concentra no Noroeste e no Norte gaúcho com máximas de até 36ºC a 38ºC em cidades do Noroeste mais perto de Misiones (Argentina) e de até 34ºC a 36ºC entre o Alto Uruguai e o Planalto Médio.

No sábado, o Noroeste gaúcho pode registrar marcas de 38ºC a 40ºC e isoladamente superiores enquanto no Norte gaúcho pode fazer 35ºC a 37ºC em alguns pontos. No domingo, por sua vez, as máximas ainda ficam perto ou ao redor dos 40ºC no extremo Noroeste, na região de Horizontina, Três Passos e Tenente Portela, Tiradentes do Sul e Tenente Portela.

Com instabilidade, chuva e localmente forte, e ainda temporais que isoladamente podem ser fortes a severos, o Centro, Sul e o Leste do Rio Grande do Sul vão escapar destes níveis mais extremos de calor projetados para o Norte e o Noroeste gaúcho.

CALOR EM SANTA CATARINA E NO PARANÁ

Em Santa Catarina, o calor mais intenso deve ocorrer no Oeste com máximas de 38ºC a 40ºC durante o fim de semana, especialmente na área de Itapiranga e Mondaí. Nesta área do extremo Oeste, as máximas nesta quinta já chegaram aos 36ºC.

Já no Paraná, várias regiões terão máximas perto e acima de 40ºC com picos de 40ºC a 42ºC no Oeste e no Norte paranaense no fim de semana e no começo da semana. Traz preocupação a realização de maratona em Foz do Iguaçu no sábado durante uma forte onda de calor pelos riscos aos atletas. Em Curitiba, os piores dias de calor devem ser o domingo e a próxima terça com máximas de 33ºC a 35ºC na região.

O QUE É A BOLHA DE CALOR  

Uma bolha de calor, que se denomina também de domo ou cúpula de calor (em Inglês é chamada de heat dome) ocorre com áreas de alta pressão que atuam como cúpulas de calor, e têm ar descendente (subsidência). Isso comprime o ar no solo e através da compressão aquece a coluna de ar.

Em suma, uma cúpula de calor é criada quando uma área de alta pressão permanece sobre a mesma área por dias ou até semanas, prendendo ar muito quente por baixo assim como uma tampa em uma panela. Esta bolha de calor de agora vai estar com seu centro entre o Paraguai e o Centro-Oeste do Brasil.

É, assim, um processo físico na atmosfera. As massas de ar quente se expandem verticalmente na atmosfera, criando uma cúpula de alta pressão que desvia os sistemas meteorológicos – como frentes frias – ao seu redor. À medida que o sistema de alta pressão se instala em determinada região, o ar abaixo aquece a atmosfera e dissipa a cobertura de nuvens. O alto ângulo do sol de verão combinado com o céu claro ou de poucas nuvens aquece ainda mais o solo.

Evidências de estudos sugerem que a mudança climática está aumentando a frequência de cúpulas de calor intensas, bombeando-as para mais alto na atmosfera, algo não muito diferente de adicionar mais ar quente a um balão de ar já aquecido. Por isso, vários estudos apontam aumento da intensidade, duração e frequência de ondas de calor no Brasil e ao redor do mundo.







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