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Notícias / Política

Leite reassumirá o governo do RS com alguns grandes desafios

Os quatro principais temas serão: o apoio da Assembleia Legislativa, as questões sociais, o RRF e o diálogo com a União

Data de publicação: 31 de outubro de 2022
Hora: 08:40h
Créditos: Flavia Bemfica
Fotos: Mauro Schaefer / CP
Fonte: Correio do Povo



Passada a euforia sobre a vitória de virada no domingo, o governador eleito, Eduardo Leite (PSDB), tem pelo menos quatro grandes desafios políticos. Construir maioria na Assembleia Legislativa, a exemplo do que fez em 2018, de forma a garantir a aprovação dos projetos do Executivo. Concretizar as promessas de campanha em relação às pautas sociais, a começar pela educação. Cumprir as duras metas estabelecidas no Regime de Recuperação Fiscal (RRF) que ele mesmo pactuou com a União. E firmar uma relação de diálogo com o governo federal, comandado por um adversário político, que traga benefícios ao RS. Tudo isto tendo como pano de fundo sua pretensão de voltar a tentar disputar a presidência da República em 2026.

“Temos duas emergências: encaminhar a solução para o IPE Saúde e estabelecer um grande plano de fortalecimento da educação. Nosso projeto de combate à pobreza, que é outra das prioridades, está pronto. E precisamos articular com o novo presidente eleito nossa primeira pauta em relação à União, que é a compensação da queda da receita decorrente da diminuição do ICMS. Vai ser uma gestão com maior preocupação com as pautas sociais, valorização do serviço público e compromisso em não privatizar o Banrisul. Mas sem abrir mão da responsabilidade fiscal”, elenca o vice-governador eleito, Gabriel Souza (MDB).

“As pautas mais polêmicas foram encaminhadas no primeiro mandato, o governador é bastante habilidoso, as reformas que fez não contrariam a direita, e acreditamos que o PT, maior bancada de oposição, será um pouco mais amigável. Sobre o RRF e a relação com o governo federal, o programa não significa que o RS não possa fazer nada. O Eduardo não vai estragar seu bom nome. Agora, a questão da educação, que foi um dos pontos fracos do primeiro governo, vamos precisar de mobilização muito forte”, adianta o deputado federal eleito e nome forte da coligação, Luiz Carlos Busato (União Brasil).

A definição da educação como bandeira do segundo mandato ganhou reforço a partir do segundo turno, quando o PDT anunciou apoio ao tucano. Internamente, o objetivo é de que a área sirva, inclusive, de cartão de visitas para pavimentar a nova tentativa de Leite de concorrer ao Planalto em 2026. “O grande nó que temos para que o Estado avance é a educação. Vamos precisar romper um ciclo histórico”, resume o ex-prefeito de Viamão e coordenador da campanha do PSDB em 2018, Valdir Bonatto, que agora foi o mais votado do partido para a Assembleia.

Bonatto admite, porém, que será “um grande desafio” governar sob os compromissos do RRF. Por isto, o núcleo do governo eleito tem como prioridade encaminhar rapidamente com a União a compensação das perdas do ICMS, conforme apontado por Gabriel. Segundo os cálculos da Fazenda, a compensação pode garantir o ressarcimento do pagamento de parcelas da dívida (que tem retomada estabelecida no RRF a partir de 2023) por período de até dois anos, o que daria à administração um fôlego considerado essencial. 

No legislativo

Na Assembleia, Eduardo Leite arranca com uma base de 17 deputados dos partidos que compõem a coalizão formada para o pleito: são seis do MDB, cinco do PSDB, três do União Brasil, dois do Podemos e um do PSD. Para obter maioria, o governo precisa de, pelo menos, 28 dos 55 parlamentares.

O tucano tem chances significativas de, ainda na transição, aglutinar o PP, que elegeu sete deputados. Aliado de primeira hora em 2018 e no comando de postos centrais na primeira administração, o partido lançou candidato próprio no primeiro turno de 2022 e, no segundo, oficialmente ficou com Onyx Lorenzoni (PL). Mas, já na campanha, parte de suas lideranças, como a deputada estadual reeleita Silvana Covatti, a mais votada do PP, abriram dissidência em favor de Leite. Entre aliados, é apontada a facilidade de diálogo com o PSB e o PTB (um deputado cada), que estiveram na base na primeira administração.

Na soma total, contudo, o governo só vai andar com parte dos votos da oposição (12 deputados da federação PT/PCdoB, quatro do PDT e dois do Psol) ou da coligação adversária no segundo turno (cinco parlamentares do PL e cinco do Republicanos).







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