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Notícias / Saúde

Pesquisa da UFRGS confirma presença do vírus da Covid na placa bacteriana

De 70 amostras analisadas, 18,6% mostravam a presença do Sars-Cov-2. Nova etapa buscará descobrir se vírus encontrado no biofilme é ativo.

Data de publicação: 31 de maio de 2021
Hora: 08:30h
Fotos: Flávio Dutra/UFRGS
Fonte: Janaína Lopes, G1 RS



Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) confirmou a presença do vírus causador da Covid no biofilme dental, mais conhecido como placa bacteriana. De 70 amostras analisadas, 13 (18,6%) continha o RNA do Sars-Cov-2.

O estudo se desdobrará em mais etapas, para aprofundar os detalhes e as implicações da presença do vírus, segundo a autora, Sabrina Carvalho Gomes, que é professora da Odontologia da UFRGS e coordenadora da residência em Saúde Bucal-Periodontia, do Hospital de Clínicas.

Apesar do nome pelo qual é mais conhecido, a placa bacteriana é composta, além de bactérias, por fungos e vírus. Considerando que vírus como o da herpes e do HIV já foram encontrados na placa, a pesquisadora idealizou a pesquisa para tentar localizar o vírus da Covid.

As amostras foram coletadas de funcionários do Hospital de Clínicas, que, com o início da pandemia, passaram a ser testados para a Covid ao primeiro sinal de sintoma gripal. Os que apresentavam resultado positivo e consentiam, tinham o biofilme encaminhado para análise.

"Colocávamos rolos de algodão na boca do paciente para isolar os dentes da saliva, para não ser um resultado confundido e o material era coletado", explica a professora. A saliva também contém o coronavírus.

"Tivemos a curiosidade de ver a carga viral desses pacientes. Percebemos que os que tinham carga maior nas secreções médicas, tínhamos positivo no biofilme dental", explica a professora.

Como o vírus foi identificado no biofilme pela presença do RNA, há a chance de que ele não tenha condições de infectar outra pessoa, como diz Sabrina. As novas etapas da pesquisa que estão em andamento devem revelar esse aspecto.

"Se a resposta for sim, eu entendo que se faça necessária uma discussão dos protocolos de atenção ao paciente Covid de forma que, ao sair da internação, possa também receber atuação da odontologia no sentido de mexer mecanicamente dessa placa", afirma. Os primeiros resultados devem ser publicados entre agosto e setembro deste ano, estima a professora.

Sabrina ressalta que não há motivo para preocupação excessiva com as descobertas iniciais da presença do vírus no biofilme, e que manter as medidas já conhecidas de saúde e higiene são fundamentais para evitar riscos.

"Se posso recomendar alguma coisa nesse momento é não façamos alarde, mantenhamos os cuidados com a higiene bucal. Sempre que escovar os dentes, procure pôr [a escova] na região em que o dente encontra a gengiva. O biofilme fica aderido no dente", explica.

"E depois de fazer a escovação, higienizar bem a escova, deixar reservada em outro espaço do que o resto família, principalmente em relação às que tiveram Covid", diz.

 






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