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A Força da Bondade - Por Claudio Frederico Vogt


Data de publicação: 15 de janeiro de 2015
Coluna: Coronel Vogt
Colunista: Coronel Vogt



Em BRASÍLIA, a obra mais bela da Cidade está quase cercada por ônibus vindos do interior do BRASIL. Já necessitando de alguns reparos, a Catedral atrai visitantes emocionados. Aglomeram-se para ver e escutar sobre os quatro Evangelistas. Na Esplanada, cruzam os Dragões da Independência, vindos da antiga Capital, o RIO DE JANEIRO. Na Avenida do EXÉRCITO, no SMU, um comboio com uniforme camuflado, parte rumo ao Nordeste do BRASIL. Sem data para voltar. A missão é nobre: melhorar as cartas topográficas do EXÉRCITO ... e obter apoio ao Teatro do Soldado.                       


O Comandante da Expedição é o Aspirante GODOFREDO. Riram dele. Durante uma instrução militar, atou as cordas da pista no depósito de água do Batalhão. Acabou derrubando a caixa d’água. Será que receberá uma segunda chance? Com a saudade já querendo entrar em seu coração, ainda juvenil, avistou o Bandeirão. BRASÍLIA é BRASIL! A carreira militar não depende, apenas, da sorte. Depende, também, de outros fatores, como a competência, o relacionamento, a bondade. Esta é um dos traços mais marcantes da personalidade do brasileiro. A bondade nem sempre é percebida. Mas ela acontece, do OIAPOQUE ao CHUÍ, todos os dias...           


O EXÉRCITO precisa de Soldados. Simples, disciplinados e competentes. Alguns, talentosos, extrapolam as suas tarefas. Como o Cantor LUIZ GONZAGA e o Jogador PELÉ. Na Capital, o Soldado ESTROVALDO coleciona elogios como Cantor. Limpa os móveis com um espanador. Este serve, também, de microfone. Canta com esmero. Tenta chamar a atenção da bela VANESSA: “PRA QUE SABER MEU NOME / SABER DO MEU PASSADO /  EU SOU IGUAL A TANTOS / JÁ AMEI E FUI AMADO ...” A Secretária do Comandante interrompe: “Pare! Ouça: são os sinos da Catedral de BRASÍLIA! Como são belos!” O Soldado perguntou: “O que você sente?” A VANESSA respondeu: “Que não estou só, que DEUS está comigo. E você, ESTROVALDO, o que sente?” O Cantor respondeu: “Esperança!” Ela continuou: “Esperança de quê?” O ESTROVALDO respondeu: “De conquistar a moça que escolhi, minha querida, meu amor!” A Secretária continuou: “Olha, amigo, você é muito mais do que um simples cantor! Você tem um coração puro!” “E você, VANESSA, é dona de um coração bondoso”, concluiu o Cantor.               


O Capitão LUIZ ALVES BONDOSO, natural de MACAÉ – RJ, descendente direto do Pacificador ( DUQUE DE CAXIAS ), estuda, em seu Posto de Comando ( PC ), a carta topográfica do Distrito Federal ( DF ). Recebe a visita do Ten ANTÔNIO, Cmt do Segundo Pelotão: “ Capitão, temos três problemas. O URI ( 09 ) não sabe desmontar o fuzil. O BOBINALDO ( 10 ) danificou alguns computadores. O VIRGULINO ( 15 ) não está aprendendo Ordem Unida. Está desatento. A cabeça dele está longe. Estou pensando em aplicar o RDE ( Regulamento Disciplinar do EXÉRCITO ).”                                                    O Capitão posicionou-se: “ANTÔNIO, traga-os aqui no PC. Quero escutá-los atentamente para acertar o diagnóstico. Vamos atacar as causas e evitar perdas e danos.” O Tenente traz os três Conscritos, que se apresentam (  VIRGULINO, ainda sem a farda, está com traje parecido com o do LAMPIÃO ):                - “Soldado URI, de PINI ( MATO GROSSO DO OESTE )                                          -  Soldado BOBINALDO, de APARECIDA DE GOIÂNIA ( GOIÁS )                         -  Soldado VIRGULINO, de CAMPINA GRANDE ( PARAIBA )”                              


O Capitão volve-se ao URI: “Você já sabe montar o fuzil?” O Soldado 09 responde: “Ainda não, Capitão. Quando ensinaram eu estava com cera no ouvido. Não entendia o que eles falavam. Depois, tive que ir ao Hospital de GOIÂNIA. Perdi algumas aulas. Mas o ANDRÉ irá me ensinar. Ele monta a arma até de olhos fechados.” O BONDOSO gostou: “Muito bom, URI! Vá em frente!” O Capitão achou interessante a roupa do 15: “Você é parente do LAMPIÃO?” O jovem respondeu: “Só por parte do VIRGULINO.” O Comandante prosseguiu: “ E você, BOBINALDO, o que está acontecendo? Quer continuar na Informática?” O Soldado 10 respondeu: “Comandante, eu venho de uma família pobre, de APARECIDA DE GOIÂNIA. Meus familiares fazem reciclagem. Nunca tive computador. Quero aprender. No primeiro curso, eu estava com dengue, fraco e confuso.” O Capitão BONDOSO prossegue: “ ANTÔNIO, não é caso de punição. Ele terá aula com um especialista, o Cabo TANAKA, oriundo do JAPÃO. Acompanhe. Incentive. O EXÉRCITO está dando ao BOBINALDO a grande oportunidade da vida dele. A Águia do Planalto não falha! Nós, oficiais e sargentos, não temos o direito de falhar. O Soldado BOBINALDO sairá do Quartel um Reservista e um Profissional! Talvez o mundo não lhe dê outra chance.” O Tenente ANTÔNIO agradeceu: “Obrigado, Comandante. Farei a minha parte.” A seguir, o BONDOSO volve a atenção ao humilde VIRGULINO: “ Por que você não presta atenção na Ordem Unida?” O jovem nordestino responde: “A saudade está me matando, Chefe. Hoje, recebi uma carta de CAMPINA GRANDE. Minha namorada está grávida. A Mãe está doente. Querem me ver. Estão sem dinheiro. Passam fome. Meus amigos mandaram lembranças. Eu não devia ter saido de casa. A PARAIBA é o meu lugar. Por favor, Capitão, preciso de uma dispensa urgente. Tenho que visitar o sertão... antes que seja tarde demais!”                                                                                           


Sereno e pensativo, o Comandante relembra a letra da canção “O LUAR DO SERTÃO”, de LUIZ GONZAGA. É um grande pensador. Silente, sem pressa, pensa ... enxuga algumas lágrimas. Não é a primeira vez que a realidade cruza com a fantasia, na cabeça de um  Comandante. Se, na Capital do BRASIL, existe um homem que sabe se colocar no lugar dos outros... esse homem é o “Comandante da Águia!”                                                                                     O silêncio é rompido pelo VIRGULINO: “O senhor está chorando, Capitão?” BONDOSO responde: “Se o Marechal LUIZ ALVES chorou, quando voltou da Guerra do Paraguai, por que eu não posso chorar... quando o BRASIL está em chamas...? Você me emocionou, VIRGULINO. Eu também sofri muito longe de casa. Aos domingos, meu Pai ia ao Correio buscar as minhas cartas. Vai, meu filho, vai! Você está dispensado por oito dias. Na volta, recuperaremos as instruções. A sua Mãe é nobre. Você tem uma importante missão de filho a cumprir. Que DEUS o abençoe, VIRGULINO!” Emocionado, o Soldado da PARAIBA responde: “Obrigado, Capitão! Levarei comigo ... a certeza de que tenho um grande amigo!” O Comandante conclui: “Obrigado! Boa viagem, guri!”                  


                                               ANÁLISE DOS FATOS    


A preocupação do Tenente Antônio era procedente. Nos últimos dias, ele treinou para a Corrida do Soldado, ministrou Instrução, fez sindicância, saltou de paraquedas, preparou-se para o casamento ... Ele não teve condições de escutar. Encaminhou o problema. Seu Comandante mudou o método: ESCUTOU. O Capitão quis saber, afinal, o que se passava dentro daqueles corações juvenis. O Comandante não é contra o Regulamento. Há hora de calar e de falar. Há hora de punir e de escutar. Com as informações que recebeu, só precisava de um atributo para resolver os problemas: a BONDADE. Esta ele já possuía. Trouxe do berço!     


                                                           CONCLUSÃO


A Bondade é uma arma poderosa na mão de quem sabe escutar.             Às vezes, o Pai clama pelo menino. E encontra um Soldado. E o Comandante clama pelo Soldado. E encontra um menino.                                                    A Bondade emociona, desarma, resolve, pacifica ...                                                  É impossível esquecer a Bondade de um Pai ... e de um Comandante.                O tempo não apaga as marcas que a Bondade deixa.                                   “Quanto mais puro for um coração, mais perto estará de DEUS.” ( MAHATMA GANDHI ).                                                                                                                    “Não te contentes em admirar as pessoas bondosas. Imita-as.” ( SÓCRATES ).



                                    CLAUDIO FREDERICO VOGT – [email protected]


DiárioRS


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