menu
Colunas

Mindfulness Mente sábia com atenção Plena


Data de publicação: 24 de dezembro de 2014
Coluna: Consuelo Pasqualotto
Colunista: Consuelo Pasqualotto



MINDFULNESS


Mente Sábia com Atenção Plena


Por Consuelo PasqualottoPoloni


Cursando Formação em ACT, FAP, DBT e Mindfulness



Falar sobre desenvolver comportamentos mais saudáveis e sabedoria nas nossas vidas vem a calhar nesta época do ano. Fim de ano sempre traz grandes estresses. Seja por organizar o encerramento das atividades, seja pelas festas, seja por organizar as férias, a preocupação com os filhos que ficam em casa quando as aulas terminam, as metas da empresa, as férias dos funcionários, a casa por organizar,etc. Este artigo fala um pouco sobre MINDFULNESS, um tema mais tranquilo o que neste momento faz bem, e o melhor de tudo seria aprender e dedicar um tempo para praticar técnicas e exercícios que levam a uma melhora no humor e na motivação diária.


Nossa mente é uma fábrica de pensamentos: desejáveis e indesejáveis, toleráveis e intoleráveis, amorosos e raivosos, racional e emotivo, reflexivo e prático, crítico, criativo, rigoroso, radical, abrangente,ruminativo...estamos sempre pensando algo de alguma maneira.  Porém, em muitos momentos os pensamentos nos atolam em problemas, nos deixam estressados, cansados, sem dormir. Trazem-nos sofrimento. E aí tentamos de todas as formas nos livrarmos deles... e quanto mais tentamos mais forte ficam e estão ali em cada dobrinha do cérebro, em cada cantinho da mente nos lembrando a toda hora que temos que pensar nele, no pensamento. 


Outras vezes estamos realizando uma tarefa e ao mesmo tempo pensando nas demais que deveríamos estar fazendo. Se vamos dormir pensamos que deveríamos trabalhar mais um pouco... se estamos trabalhando até tarde pensamos que deveríamos estar dormindo.... Isto gera insatisfação, ansiedade e estresse. Pois bem, ansiedade, essa condição mental, psicológica e fisiológica, leva a doenças físicas e mentais.


Na vida urbana moderna, agimos muitas vezes sem estar emocionalmente envolvidos em nossas ações, ou fazemos várias coisas ao mesmo tempo, às vezes sem percebermos que as diferentes atividades têm diferentes objetivos e atrapalham entre si. Assim, podemos agir rápido e nos projetar como eficientes e produtivos. Em outros casos, permitimo-nos ficar tão emaranhados em nossos pensamentos e sentimentos sobre passado ou futuro, ou em nossas racionalizações sobre a nossa vivência, que perdemos contato com o que está acontecendo no momento atual (Hayes, 2004; Linehan, 1993; Kabat-Zinn, 1990).”



Como vivemos no “piloto automático”não estamos alerta ao corpo e a mente de forma protetiva e amorosa. Estamos “tocando em frente”da melhor forma que sabemos e aprendemos, e aprendemos que temos que ser rápidos, eficazes e eficientes, que temos que cuidar o tempo, que temosque ter as melhores respostas na ponta da língua, que temos que entender de tudo e que, principalmente, não podemos errar. 



Como reposta a esta atitude mental que comprovadamente é causa de muitas enfermidades, há muitos anos se estuda formas de ajudar as pessoas a focar no aqui e agora de maneira tranquila e generosa consigo mesmas.Então, o que é Mindfulness?


Mindfulness é um conceito com origem nas práticas meditativas orientais, que passou a fazer parte da medicina comportamental a partir dos programas de redução de estresse de Kabat-Zinn. Mindfulness é definida como uma forma específica de atenção plena – concentração no momento atual, intencional, e sem julgamento. Significa estar plenamente em contato com a vivência do momento, sem estar absorvido por ela. Há mais ou menos uma década esta prática começou a fazer parte das práticas clínicas ocidentais e contemporâneas. As possibilidades terapêuticas da prática de mindfulness fez com que várias teorias a adotassem como a cognitivo comportamental e ascontextualistas (ACT, FAP e DBT).



MarshaLinehan (1993) - quem desenvolveu a DBT -Terapia Dialética Comportamental - faz distinção entre três modos de pensar: mente emocional, mente racional e mente sábia. A mente emocional refere-se ao modo de ação impulsiva, dirigida pelo que sentimos. A mente racional seria o modo de funcionar sob controle do pensamento lógico. A mente sábia refere-se à sabedoria profunda que a pessoa tem, o que a pessoa sente estar certo.


Com a prática do mindfulness a pessoa pode aprender a controlar o calor da emoção para deixar a mente sábia falar e abraçar cada momento como é e não como gostaria (ou temeria) que fosse. Isto não só permite que a pessoa participe mais plenamente de momentos felizes da vida e entenda com mais clareza os seus problemas, mas também que não crie desnecessariamente mais sofrimento para si mesma e atue com mais agilidade quando for necessário.


Na ACT – Terapia de Aceitação e Compromisso - proposta por Steven Hayes-um dos alvos principais é a redução da esquiva experiencial, que é vista pela teoria como uma das maiores fontes do sofrimento humano. A ACT promove uma atitude de aceitar pensamentos e emoções como realmente são, e não como parecem ser. Uma vez livre da luta contra as próprias avaliações, pensamentos e sentimentos, as pessoas podem agir de modo produtivo sobre seu ambiente. Faz parte desta aprendizagem as técnicas e exercícios de mindfulness.



A proposta de mindfulnessé que nos aceitemos como somos e que “podemos”nos cuidar ouvindo o nosso eu de forma natural e tranquila. E que a nossa mente precisa de descanso, que não precisamos dar respostas a tudo e a todos imediatamente. Mindfulness nos faz lembrar que temos um coração que pulsa, que temos uma pele com muitas sensações, que através da nossa respiração podemos acalmar a mente e o corpo e criar uma predisposição para uma vida mais saudável.


Todos nós agimos fundamentados em crenças sobre nós mesmos, os outros e o mundo que nos cerca. Muitas destas crenças são distorcidas o que nos leva a problemas de ajustes e desequilíbrios internos e externos. Muito destes desequilíbrios vem de atitudes impulsivas, impensadas e automáticas. Praticar mindfulness é tomar consciência através da atenção intencional, no momento presente. Esta tomada de atenção possibilita a emergência de potencialidades antes desprezadas o que certamente nos ajudará em decisões mais equilibradas, em pensamentos mais harmoniosos e consequentemente a uma redução nas ruminações mentais.


Na área da psicologia clínica o mindfulness é indicado para casos de doenças psicossomáticas, depressão, TDAH, estresse, dor crônica, fibromialgia, ansiedade, melhoria da memória, adições, assim como muitos outros casos. 


Por Consuelo Pasqualotto Poloni


DiárioRS


CLIQUE AQUIcurta a Fan Page do site e fique por dentro das notícias da região.



1 copiar 1 copiar
1 copiar
2
3
4
5
6