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A competência - Um hospital longe demais


Data de publicação: 23 de dezembro de 2014
Coluna: Coronel Vogt
Colunista: Coronel Vogt



 


Na Capital do BRASIL, contrastes se apresentam sem pedir licença. Helicópteros modernos, adquiridos no exterior, cruzam o céu. Nordestinos paupérrimos, com nomes pouco familiares, desembarcam, agora como outrora. Nascidos para votar. Trazidos para votar. Que maldade! No encantador Lago PARANOÁ, lanchas caras deslizam alegres... Uma rádio do Distrito Federal transmite a voz carismática do Missionário R R SOARES... Terá que fazer muitos milagres! Nos gabinetes acarpetados, poderosos exoneram denunciantes. Aplicam do outro lado do mar recursos que deveriam ser aplicados aqui. A prostituição cresce sem parar...no Pistão Sul, nas asas da Cidade... A desigualdade de renda é revoltante. Por que? Não somos todos brasileiros?  BRASÍLIA está pronta. Falta o homem.


            Corações verde-olivas, magoados e humilhados, tentam recomeçar. O Batalhão da Guarda prepara-se  para receber uma autoridade da EUROPA. Na Companhia Comando, a “Águia do Planalto”, a vida recomeça. No coração dos jovens, bate a saudade e a paixão... Ao Soldado ESTROVALDO só resta cantar:


                        “CARTAS JÁ NÃO ADIANTAM MAIS


                         QUERO OUVIR A SUA VOZ


                         VOU TELEFONAR DIZENDO    


                        QUE ESTOU QUASE MORRENDO


 DE SAUDADE DE VOCÊ ...”


O Sargento de Dia, apressado, entra no pátio da Subunidade: “Dá licença, jovem! Fica aí borboleteando... Capitão, o URI baixou ao Hospital das Forças Desarmadas (HFD)!” O Capitão BONDOSO,  preocupado, quis saber o motivo. O Sargento ARQUIMEDES respondeu: “Desmaiou na Instrução do Aspirante JOÃO FREDERICO!” “Quero falar urgente com o JOÃO!”, exclamou o Comandante. O Aspirante atendeu ao chamado com presteza. Explicou ao Capitão: “Eu estava ensinando o consumo da nova ração operacional. O URI caiu. Pensou que o álcool gelatinoso era uma espécie  de sobremesa...” O Soldado cantor exclamou: “ELE COMEU O FOGAREIRO!” Compreensivo, o Capitão orientou o subordinado:”Aspirante JOÃO FREDERICO, acompanhe o caso. Temos que salvar esse guri. Daqui a pouco, irei ao Hospital. Mantenha-me informado. Vá à luta. Não perca tempo.”


O Comandante da Companhia Comando, de volta ao PC,  meio triste e  cansado, tenta se distrair lendo a Revista “VEJA QUE HORROR”, editada na CEILÂNDIA.  A leitura foi interrompida pelo Sargento CRACOLDO, Comandante da Guarda: “Capitão, serviço com alteração! O Soldado HESTRU disparou o fuzil. O tiro atingiu o pé do Recruta ANTON. Mandei o motorista da ambulância, Soldado JOÃO BATISTA, levá-lo ao Hospital. Ao manobrar, uma roda da viatura passou por cima da bicicleta do Recruta URI. No caminho, a ambulância furou um pneu. Para complicar tudo, a viatura se atolou-se. Ou seja: atolou as rodas da frente e as de trás! O motorista, com a mão lesionada, não conseguiu trocar o pneu. A Tenente examinou o pé do ANTON. A bala atingiu, apenas,  o coturno. Voltaram à pé, da Asa Oeste até o Batalhão. O JOÃO BATISTA ficou cuidando a viatura. Não consegue caminhar. Está com problema no nervo asiático.”       


Pensativo, sem saber por onde começar, o Comandante tratou, inicialmente, de responder ao subordinado e amigo: “Obrigado, CRACOLDO! A tua memória é boa. Como vão as leituras? Que livro tu estás lendo?” O Comandante da Guarda respondeu: “No momento, não estou lendo nada. Na verdade, estou desmotivado. Fiz concurso. Não fui selecionado. Descobriram que houve venda de vagas...” O Capitão continuou: “Tudo bem. Treine redação. Procure melhorar o estilo. Agora, amigo, chame o Tenente OSÓRIO EMÍLIO. Reassuma o Comando da Guarda do Quartel.”


Em poucos minutos, o oficial subalterno se apresentou e recebeu a orientação do Capitão BONDOSO: “OSÓRIO, a ambulância fez algumas barberagens. Um Soldado disparou o fuzil. Instaure uma sindicância. Não podemos perder estas oportunidades de melhoria. Coloque toda a Companhia em forma. Preciso falar com os antigos e os recrutas. Nós vamos melhorar. É o meu dever. A imperícia não pode passar em branco. A incompetência prejudica a todos!”        


Antes de começar a falar, o Capitão esperou o silêncio total. No uso da palavra, ele sempre foi hábil e caprichoso. Admirado por seus seguidores, não mediu palavras: “Meus comandados! Houve, na manhã de hoje, um disparo acidental de arma e manobras imperfeitas de viatura. Percebi erros de Português. Os militares que me conhecem há mais tempo sabem que estou triste. Numa primeira fase, tomei algumas decisões para evitar que a imperícia volte. Todos nós, juntos, em fases posteriores, iremos aperfeiçoar as decisões. Não quero assustar ninguém, mas os erros de hoje poderiam ter tido consequências trágicas...”           


O Soldado ESTROVALDO, espontâneo e ansioso, não se conteve: “O que o senhor quer que a gente faça, Capitão?” O Comandante continuou: “Acompanhe, jovem cantor, as decisões. Em caso de dúvidas, explicarei no final. Primeira – Foi instaurada uma sindicância. Segunda – Todos os soldados repetirão a Instrução de Armamento. Terceira – Os motoristas farão Curso de Reciclagem. Quarta – Uma Professora do Colégio Militar ministrará aulas de Português. Quinta – Vou coordenar um Sistema de Livros. Objetivo: incentivar a leitura, a redação e o aperfeiçoamento. Sexta – Realização de Concursos de Redação, com bons prêmios. Sétima – Faremos Palestras de Motivação. Oitava – Ofereceremos Cursos de Habilitação. Objetivo: quem sair do EXÉRCITO já terá um ofício. Nona – Aplicaremos Testes Vocacionais para todos. Tenham todos uma boa tarde! Não se esqueçam: estamos diante de uma grande oportunidade ... de  renascer! Até amanhã! Águia do Planalto, fora de forma, marche!”                                                           


O Capitão BONDOSO, primeiro de turma da AMAN, em sua caminhada, encontra o motorista da ambulância seminova, o Soldado JOÃO BATISTA. Indaga-lhe: “O que houve, JOÃO? Por que a viatura não chegou ao seu destino?” O motorista respondeu: “O Hospital fica longe demais!”            


ANÁLISE DOS FATOS


O risco é constante na vida castrense. O perigo é companheiro do militar. Este vive entre a vitória e o fracasso. Segundos de imperícia colocam tudo a perder. O Comandante sabe disso. Ficou magoado com a incompetência desta manhã. Tomou decisões firmes e claras para começar a resolver um problema crônico. Competência é capacidade. É a primeira qualidade que o Soldado observa no Comandante. Nem todos os homens são competentes. Mas, não há líder incompetente. A competência é atributo atingível. Pelo aperfeiçoamento da cultura, da capacidade profissional, do preparo físico e da arte de lidar com as pessoas.                  


CONCLUSÃO


O Bom Soldado cultua a competência. Esta reduz os riscos de acidente. Aumenta as chances de vitória.           


“Todos os homens são bons, mas não para todas as coisas.” ( VICTOR HUGO ).


“A competência sem autoridade é tão importante como a autoridade sem competência.” ( GUSTAVE LE BON ).                                        


“O pessimista queixa-se do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas.” ( WILLIAM GEORGE WARD ).


                                               C F VOGT[email protected]  


DiárioRS


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