menu
Colunas

Terapias da terceira onda. Por Consuelo Pasqualotto Poloni


Data de publicação: 22 de julho de 2014
Coluna: Consuelo Pasqualotto
Colunista: Consuelo Pasqualotto



 


Sempre em busca de conhecimentos ou de aperfeiçoar os já recebidos, iniciei um curso que pelo nome me despertou a atenção e a curiosidade – Terapias de Terceira Onda ou de Terceira Geração. O tema principal do primeiro encontro foi uma explanação sobre as 3 ondas da psicoterapia comportamental. Foi muito interessante e passarei aqui um pouco do que me foi passado lá. Primeiro, são chamadas de Ondas por serem praticamente revoluções dentro da área da psicoterapia em geral e sobretudo da psicoterapia comportamental. Não deixarei de citar que o curso me fez refletir muito sobre conceitos aprendidos na minha formação básica, uma vez que cada universidade segue uma linha de pensamento e de mentores. A que eu estudei segue basicamente psicanálise. Me considero aberta a novos conhecimentos, mas isto me desacomoda muito em várias circunstâncias. Por exemplo, Skinner para mim era inconcebível enquanto o fazer da psicologia. Agora me propus a ter um olhar mais flexível e vou acompanhando no meu trabalho e em mim mesma o resultado disto. Colocarei aqui um pequeno resumo sobre as três ondas de terapias comportamentais.


1ª Onda:


A primeira onda, ocorrida nos anos 50, caracteriza-se como a terapia comportamental clássica e a modificação do comportamento. Como referenciais Watson, Pavlov e Skinner. A psicoterapia comportamental nessa época, seguia as bases do modelo pavloviano, com técnicas de exposição à estímulos e dessensibilização sistemática (controle respondente, basicamente), por exemplo.


A primeira onda recebeu críticas. As principais são as de que a terapia comportamental era ofensiva à liberdade pessoal do homem, que era uma psicoterapia superficial e que só atenderia problemas simples, ou seja, desqualificava o ser humano e a problemática que ele apresentava, além de não contemplar a complexidade das ditas "funções mentais" superiores e da linguagem.


2ª Onda


A segunda onda se caracteriza pela revolução cognitivista que marcou os anos 60. Há uma abordagem mais racionalista, onde se elucida a reestruturação cognitiva (crenças) e a terapia cognitivo-comportamental se torna forte, sobre um paradigma mediacional. A terapia racionalista foi proposta por Beck e Ellis.


Segundo o paradigma desta terapia, o modo como o ser humano pensa é que determina como ele se comporta. E, entretanto, a terapia cognitivo-comportamental, assim como a terapia comportamental pura, procura ser uma teoria científica.


A segunda onda, no Brasil, não teve a mesma repercussão vista em outros lugares do mundo. A terapia cognitiva-comportamental teve vários motivos para se instalar com tanta força e uma delas é a crítica à análise do comportamento verbal proposta por Skinner. Devido a essa falta de força dela aqui no Brasil, comparado ao resto do mundo, os analistas do comportamento avançaram em relação aos estudos na área do Comportamento Verbal (que ainda é uma área negligenciada, se me permitem a opinião pessoal) e também da equivalência de estímulos. Esta última, implica uma capacidade do homem de conseguir associar "qualquer coisa a qualquer coisa", ou em um exemplo simples, conseguir ler ouvir/falar "cachorro", ler CACHORRO e ver o animal em si e responder da mesma maneira frente aos três estímulos, diferentes em propriedade.


3ª Onda


A terceira onda são as chamadas terapias contextualistas. Isso implica que a terapia depende de contextos. Entre elas destacam-se a ACT- Terapia de Aceitação e Compromisso, a FAP – Terapia Analítico Funcional, IBCT – Terapia Integrativa comportamental de Casal, a DBT – Terapia Comportamental Dialética, a MBCT – Terapia Cognitiva Baseada em Mindfullness, a MBSR – Redução de Stress Baseada em Mindfullness, a BA – Terapia de Ativação Comportamental e a CFT – Terapia Centrada na Compaixão.


Descreverei brevemente as duas que estão sendo abordadas no primeiro módulo do curso, a ACT e a FAP.


ACT: Terapia de Aceitação e Compromisso (proposta por Hayes - Teoria dos Quadros Relacionais). Ela tem como objetivo criar flexibilidade psicológica, ou seja, aceitar eventos privados que são desagradáveis para manter ações que são importantes e valorizadas pelo indivíduo para que ele tenha uma vida mais significativa. Por outro lado, é a comunidade verbal em que esse indivíduo está inserido que ensina que o certo é estar bem e que a tristeza é um problema que deve ser resolvido a qualquer custo. O foco de intervenção da ACT é a Aceitação desses eventos que são ruins para o sujeito de modo que ele não resista a eles e os sinta, e procure dar um significado a este sentimento, para evitar um futuro sofrimento adicional. Também se foca na Escolha, que deve ser baseada na experiência/história do indivíduo. E também se foca na Ação, que deve ser direcionada para o futuro e comportamentos abertos, que podem ser mudados. Para intervenção, é usual que o terapeuta use metáforas e técnicas.


FAP: Psicoterapia Analítica Funcional (proposta por Kohlenberg e Tsai) que tem como "base" consciência, coragem, amor e Behaviorismo.


O foco principal da FAP é a relação terapêutica, onde são valorizadas as contingências da sessão, onde ocorre a modelagem de comportamentos em sessão e o reforçamento natural de comportamentos assertivos apresentados pelo cliente.


Se observa os comportamentos clinicamente relevantes, geralmente iniciando pelos comportamentos desadaptativos e disfuncionais que ele apresenta junto com a queixa.


O processo terapêutico técnico da FAP é permeado por 5 regras: 1) prestar atenção nos comportamentos do cliente; 2) Evocar novos comportamentos do cliente; 3) Reforçar estes novos comportamentos mais adaptativos; 4) Observar os efeitos da intervenção; 5) modelar os comportamentos  no cliente.


Tem muito ainda por estudar e por compreender. Se estes conhecimentos farão parte de minha prática profissional ainda não sei, o que sei é que se sabe muito pouco. Descartes disse: “ daria tudo o que sei pela metade do que ignoro” . Neste momento, timidamente e humildemente,  me sinto como ele.


Fonte: http://behavioristaradical.blogspot.com.br



Por Consuelo Pasqualotto Poloni


DiárioRS


CLIQUE AQUIcurta a Fan Page do site e fique por dentro das notícias da região.



0a0a0biblioteca 0a0a0biblioteca