menu
Colunas

O sujeito e a metamorfose


Data de publicação: 14 de março de 2022
Coluna: Guilherme Cogo - Crônicas Sórdidas
Colunista: Guilherme Cogo



Começo, friamente, dizendo que, aqui, não há roteiro! Isso mesmo! Esta crônica não possui roteiro prévio, pois sua maior inspiração está na essência do que é a vida.

O grande escritor português José Saramago já dizia que a "nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida". Disso se compreende que, como tudo é tão vasto e, ao mesmo tempo, tão complexo, tudo se torna demais para ser digerido em um curto período vital, o que faz com que não façamos ideia do que realmente tudo significa.

Entretanto, antes mesmo de se divagar sobre tal significado maior, o ser humano possui, forçadamente, apenas duas escolhas, as quais nos surgem mesmo sem ter qualquer roteiro de vida em mãos: viva ou pereça!

Definitivamente, é isso, e apenas isso. Não há outra escolha senão uma das mencionadas. Assim, percebe-se que o importante mesmo se encontra na vivência, ainda que haja dor e tragédia, as quais podem ser amenizadas pela felicidade de ir adiante e viver novas alegrias.

Isso me faz lembrar do filósofo francês Jean-Paul Sartre, o qual, certa vez, lançou a seguinte perspectiva: "Não importa o que a vida fez de você, mas o que você faz com o que a vida fez de você". Observa-se, dessa forma, que não há escolha senão a adaptação e a transformação do ser, como uma metamorfose, para que o caminho continue a ser trilhado e, então, algum dia, se possa encontrar o que pode ser chamado de "significado".

Portanto, se vê com nitidez que, embora se consiga controlar muitas coisas na vida, o que acontece nela, como um todo, é incontrolável, pois sua essência não funciona com paciência, resguardos e justiça. O que nos resta é perceber que apenas o que se faz com o que nos ocorre é o que pode nos transformar para poder suportar ainda mais o que virá adiante.
Então, questiona-se: o que lhe importa mais? A falta de um roteiro de vida ou a metamorfose baseada no sentir o que lhe acontece?

 

Por: Gulherme Cogo

Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. Atua como colunista no Jornal A Região. Escritor iniciante.