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Insanidade ou Lucidez?


Data de publicação: 3 de fevereiro de 2022
Coluna: Guilherme Cogo - Crônicas Sórdidas
Colunista: Guilherme Cogo



É notório que a concepção de vida é múltipla, e isso se mostra em qualquer lugar, a qualquer hora e em qualquer circunstância ao redor do globo. Nesse sentido, torna-se importante questionar a razão pela qual o ser humano, mesmo tendo conhecimento das variações existentes, persiste em negar a existência do vasto e do incompreensível, para taxar tudo conforme seu bel prazer, sem noções de diálogo ou compreensão.


“Aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música”. Assim, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche expressa, em forma de aforismo, a forma como a vida se traduz ante os seus e os olhos de muitos que observam a vida segundo uma compreensão que não se contenta com o raso e o supérfluo, em detrimento de outros muitos que, além de cultivarem o contentamento com o mesquinho, produzem falsos diagnósticos de “loucura” em relação a quem apenas está vivendo uma vida para além de velhas opiniões ou contextos imóveis.


O fator maior de diálogo que aqui se aborda não é a simples ação de enxergar-se diferente, uma vez que isso é natural, porque o mais predominante está nos vereditos vazios que tentam impor verdades específicas em mares de pluralidades, nos quais todos estão nadando.


  Sonhos e ações sempre conflitarão e não há, ao menos atualmente, como vislumbrar uma forma de existência mútua entre o que busca o engrandecimento e o que deita no berço da decadência. O certo e o evidente estão no fato de que a busca por uma compreensão, a qual proporcione entendimento e confiança em quem se é e como se está agindo perante tudo e todos, é totalmente individual e vai muito além de quaisquer escrúpulos ou meras opiniões.


Portanto, fazendo referência ao aforismo do filósofo mencionado, a vida pode ser vista como um grande concerto musical, no qual há muitos instrumentos, diversas pessoas em seus postos, além de múltiplas notas sendo produzidas constantemente. Resta então o questionamento derradeiro: Se estivesse nesse concerto, gostaria de ser alguém imerso no espetáculo produzido? Ou se contentaria apenas em ser um sujeito que, além de se negar a viver o diferencial apresentado, busca, incansavelmente, encontrar alguém que esteja, supostamente, tocando seu instrumento de forma desafinada? Muitas coisas fluem como música, basta escolher a sua!

Por: Gulherme Cogo

Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. Atua como colunista no Jornal A Região. Escritor iniciante.