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Uma vida sem marcas. Por Leomir Hendges


Data de publicação: 19 de setembro de 2013
Coluna: Leomir Hendges
Colunista: Leomir Hendges




Alablaster despertou meus ouvidos hoje pela manhã. Complicado achar o par de Rider e desligar o botão do Nokia. Acordar realmente, só com a água quente da ducha ThermoSystem, depois de passar o Lux pelo corpo e amaciar os cabelos, que não são mais muitos, com Seda.


Rexona, que não me abandona, para acompanhar-me o dia todo. Avon para hidratar a pele. O que vestir hoje? Henring? Colombo? Levi’s? Blue Steel? Bom, melhor calçar logo o Olympikus, afinal o tempo está passando e o Nescafé aos poucos esfria sobre a mesa.


O Fiat verdinho aguarda ansioso na garagem para iniciar o seu dia. Ao som de Thalles Roberto percorro 10km até o local de trabalho. Em poucas horas, mente e corpo, tiveram contato com diversas marcas, não foram todas as que registrei, somente aquelas com a qual tive maior contato ou proporcionaram alguma experiência marcante.


Ao abrir os olhos, observo que não estou num mundo de coisas e produtos. É um universo de marcas e todas de alguma forma buscam “invadir” os ambientes que frequento e se fazer presente no maior número de locais possível. Questiono a possibilidade de viver uma vida sem logotipos ou marcas de empresas, produtos, cantores... porém, percebo que é inviável quando almoço e peço uma Coca-Cola ou Água Mineral Sarandi.


A partir de quando permiti que as marcas tivessem tanta influência a ponto de existir somente Bombril e não mais esponja de aço? Todos sabem o que quero quando peço um Chokito, por sinal algo que como com frequência, quando é apenas um chocolate com uma marca estampada na sua embalagem. Não sei se o fato de ver, antes de sentir, muda o paladar, mas penso já estar tão influenciado com conceitos que já não sou mais capaz de sentir o verdadeiro sabor daquilo que consumo.


Não há marca para o pão caseiro da minha mãe, porém sei que quando ela compra farinha e fermento para produzi-lo, acaba optando pelas marcas diversas oferecidas no supermercado. Para mim continua sendo o pão caseiro, indiferente se for a farinha Orquídea ou Rosa Branca, não percebo a diferença de sabor, a não ser por ouvir minha mãe reclamando de determinada marca quando o pão não fica da forma como ela quer.


Se não podemos viver sem as marcas, podemos pelo menos aprender a conviver com elas e não permitir que exerçam tamanha influência determinando muitas vezes a nossa felicidade. Nossas necessidades básicas necessitam de produtos para serem supridas e não de marcas como muitas vezes achamos ser. Na simplicidade você também encontra felicidade.





Por - Leomir Hendges


DiárioRS


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