menu
Colunas

Atenção com a Nota Promissória - Fernanda Cristina de Faveri


Data de publicação: 23 de julho de 2018
Coluna: Fornari Advogados Associados
Colunista: Fornari Advogados Associados



 


Dando seguimento à série de posts sobre títulos de créditos, vou explicar esta semana um pouco sobre a Nota Promissória, que é uma “promessa de pagamento”. Aliás, um título de crédito muito utilizado nas transações comerciais em nosso país. Nas duas semanas anteriores falei sobre o cheque.


A Nota Promissória, assim como o cheque, é um título executivo extrajudicial, onde temos basicamente duas partes: o devedor, aquele que assume a obrigação direta e principal de pagar uma certa quantia correspondente ao valor do título, e o credor ou beneficiário, aquele que recebe o pagamento.


Embora a Nota Promissória seja uma promessa de pagamento, é importante esclarecer que, se não houver data de vencimento estipulada na mesma, será considerada à vista, podendo ser executada imediatamente.


O credor pode exigir avalista?


Por ser um título de crédito, o beneficiário da ordem (credor) pode exigir um avalista, uma terceira pessoa que possa garantir a dívida. Se eventualmente o garantidor for casado, é necessária a anuência do cônjuge, exceto se casados pelo regime de separação convencional de bens, sob pena de ineficácia total do aval, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.


Vencido o prazo estipulado na Nota Promissória para efetuar o pagamento, qual o prazo prescricional para o credor mover execução judicial?


O prazo prescricional para mover execução judicial é de 3 anos, a contar da data do vencimento do título, podendo durante esse período ser executado tanto o emitente da Nota Promissória quanto o avalista, devido à solidariedade.


Entretanto, ainda que transcorrido o período de prescrição sem execução do título, continua sendo possível a cobrança do crédito, mas apenas contra o emitente, não mais em desfavor do avalista, tendo em conta a perda da força executiva do título.


Quais as medidas judiciais cabíveis quando a Nota promissória já prescreveu?


Bem, neste caso embora a cártula já tenha perdido a força executiva em face do decurso do prazo prescricional, o credor ainda possui duas alternativas para buscar o ressarcimento dos valores.


Uma das vias adequadas para a cobrança da Nota Promissória é a ação monitória, que deve ser ajuizada no prazo de 5 anos, desde o dia seguinte ao vencimento do título. Inclusive esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça - Súmula 504 “O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de nota promissória sem força executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte ao vencimento do título”.


Outra via adequada é a ação de locupletamento (enriquecimento sem causa). O prazo para ajuizamento desta ação é de 3 anos a contar do dia seguinte ao do término do prazo para a execução (da prescrição).


Assim, se o credor da Nota Promissória não tenha utilizado a ação de execução de título extrajudicial no prazo de 3 anos, poderá entrar com ação de locupletamento contra o emitente da nota promissória nos 3 anos seguintes, contados do dia em que se consumar a prescrição da ação executiva.


Quer saber mais sobre assuntos similares a este?


Acesse https://odireitoparatodos.com/ e confira.


 



 


Fernanda Cristina de Faveri


 



nota promissoria nota promissoria