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O que você não faz, importa. Por Lessandro Sassi da Silva


Data de publicação: 10 de abril de 2017
Coluna: Lessandro Sassi da Silva
Colunista: Lessandro Sassi da Silva



Domingo a tarde, Julho de 2016. Lá fora 5ºC, céu nublado e garoa leve. Dentro de casa aquecedor, filme e pipoca. Meu irmão e eu estamos na sala de casa assistindo, 30 minutos depois do filme iniciar um pause para ir ao banheiro. Retornamos, e continuamos de onde parou.


Algum tempo depois, outro pause para pegar algo para comer – as pipocas acabaram – retornamos e continuamos de onde parou. Desde que deixamos de assistir filmes e programas na TV “Regular” onde não era possível pausar, as sessões ficaram mais intermitentes. É a maravilha do on-demand , o que eu quero na hora que quero e da maneira que quero.


Confesso que isso nos fez ficar um pouco acomodados, afinal de contas é só dar pause. Nada de ter que se aguentar até o intervalo para sair correndo pela casa, fazer o que tem que ser feito e retornar a tempo de não perder nada.


Infelizmente essa realidade não se aplica às nossas vidas. Não existe pause. Se fosse possível, com certeza eu tentaria ajuda-los a evitar desânimos futuros. Ajudar a pensar em como podemos passar os nossos próximos 40 anos. Mas essas decisões devem ser tomadas enquanto o programa acontece. Não podemos dar pause na vida.


Um aviso especial aos inovadores/realizadores, vocês sempre terão um alvo nas suas costas. Quando mais conquistarem através de trabalho, empenho, estudo e dedicação maior será esse alvo. Não é a minha opinião, é uma lei natural. Essas palavras são de Phil Knight, CEO da Nike.


Vamos relembrar o caso do WhatsApp nos primeiros meses do seu surgimento, ou você não lembra da choradeira das operadoras de telefonia móvel que eram contra o aplicativo pois iria diminuir suas receitas, gerar desemprego e todo tipo de coisa ruim (na lógica deles é claro). É a clássica demonstração de como uma nova tecnologia melhor, mais acessível e mais barata causa mudanças profundas na sociedade.


Ao invés de aproveitar a oportunidade para melhorar serviços, criar novas alternativas e aproveitar o momento o movimento foi de boicote. Mais recentemente com o Uber foi a mesma coisa. Pra que elevar o padrão de atendimento e qualidade se é tão mais fácil ser medíocre não é? Errados são os outros que querem algo melhor, onde já se viu?!


Uma ação proativa que se aproveite das condições ambientais para alavancar resultados nesse caso seria muito melhor para todos. Em especial aos usuários do serviço. Mas tomar uma ação dessas é cortar na própria carne, o sacrifício é imediato, já a recompensa e tardia.


O regime só é difícil porque você precisa abrir mão daquele brigadeiro delicioso hoje para garantir a boa forma daqui 6 meses. Para nós brasileiros é um horizonte de tempo muito distante. Ainda estamos sofrendo com os vícios da era da inflação galopante, não desenvolvemos o hábito de planejar, ainda.


Se há algo que possa sugerir é que você comece a pensar em não procurar um trabalho ou um emprego (são coisas diferentes e podemos tratar delas em outro momento). Descubra sua vocação. Quando se persegue uma vocação é mais fácil aguentar o cansaço das coisas que devem ser feitas para se alcançar o sucesso.


Não acredito na possibilidade de vir aqui e vomitar sugestões sobre como você deve ou não viver a sua vida. O que posso fazer é provocar o máximo de reflexões possíveis para que você tome suas próprias decisões. Assuma suas próprias responsabilidades. Viva a sua própria vida.


É claro que a incerteza vai existir sempre e seus medos podem ser as maiores barreiras que devem ser superadas.  Eles podem impedi-lo(a)  de ir atrás do que você realmente desej. Eles podem fazer você acreditar que suas chances de sucesso são tão pequenas que não vale a pena tentar.


O que você deixa de fazer agora não trará dificuldades hoje, apenas lá na frente. Daqui 5, 10, 20, 40 anos. Seja se exercitar para ser mais saudável ou estudar para se tornar empregável. Uma coisa é certa, o mundo vai continuar dinâmico e em mudança constante, decidir não fazer nada é escolha sua, vai ser cômodo agora. Apenas não terceirize suas frustrações no futuro para o governo, as empresas, para a crise ou para o Papai Noel. Assumir o controle do nosso desenvolvimento, da nossa vida é um passo em frente, tenha certeza.


Se você quiser sugerir assuntos ou temas para a coluna, entre em contato comigo através do e-mail: [email protected] .



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