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Crônica A FUGA DO MARTELO. Por Claudio Frederico Vogt


Data de publicação: 15 de março de 2016
Coluna: Coronel Vogt
Colunista: Coronel Vogt



 


Em BRASÍLIA, lutei com persistência contra a corrupção nos combustíveis. Diante de inimigos ocultos e interesses conflitantes, obtive poucos resultados. Eu não sabia que o BRASIL era assim. Triste, voltei ao velho RIO GRANDE, rico de valores e tradições.


            Em PORTO ALEGRE, fui residir na Rua SÃO MANOEL, em lar com pouca estrutura. Não havia silêncio, nem luz, nem chaves ...Por isso que Militar ganha bem.  A luz veio no quinto dia. Tive uma surpresa com as chaves...


            Fui fazer cópias das chaves  no Bairro SANTANA. Enquanto o profissional fazia o trabalho, chegou um cliente vindo, talvez, de uma galáxia vizinha. Com a cabeça cheia de graxa e teia de aranha. Um mistério bem misterioso. Fiquei em dúvida: perguntar ou não ... Os nativos não gostam de perguntas. Quando perguntei a um jovem “di PORTO ALEGRE” se poderia baixar o som, por pouco não houve uma grande pancadaria. O rádio dele tocava só propaganda! Tive que ler O BISPO E O EXECUTIVO num bairro dos bacanas. O silêncio é amigo do Pensador.


            Mas, considerei que deveria fazer de tudo para não ser acometido por moléstia similar. Com graxa de viatura no cabelo, seria mais difícil pegar guria. Não custa perguntar. Para evitar uma tragédia, indaguei com a polidez que me é peculiar. Afinal, o Escritor tem que conhecer os problemas do nosso querido Povo. Perguntei em tom amigável: O QUE HOUVE COM O TEU CABELO?


            Bah! Me arrependi na hora. O Cidadão não gostou. Ficou vermelho. Disse que pisei nele. Que era coisa da minha cabeça. Foi ficando furioso. Começou sair fumaça pelas orelhas. O Chaveiro tentou amenizar: “Está na moda colocar óleo Palmolive no cabelo!” Sobre o balcão, havia um martelo. Ele olhou para a ferramenta. Pensei: será que vai pegar o martelo? Eu estava confiando no seu espírito democrático ... O furioso cidadão pegou o martelo com energia. Medo eu não tinha. Nem coragem. Eu só não gostava de tomar martelada...


            Meu espírito militar falou mais alto: decidi atacar para a retaguarda. Subi a VICENTE DA FONTOURA correndo a 90 Km por hora. O homem do martelo gritou: “TRAIDOR!” Veio atrás de mim a 90 Km por hora. Fiquei com a impressão de que ele queria acabar comigo. No bom sentido. O TEIXEIRINHA conhecia bem a gauchada: “...mas se alguém me pisar no pala ... meu revólver fala ... “


            Numa esquina, passei por duas Soldadas da Brigada Militar. Eram belas, elegantes ... e fumantes. Que pena! Uma Nação se constrói, também, com bons exemplos. O que houve com o BRASIL? Elas não perceberam que estava havendo um assédio martelal.


            Corri na direção do Arroio DILÚVIO. Aquele que já era para ser um ponto turístico piscoso. Não havia ponte. Fiquei com uma dúvida gaudéria: se atravessar, livro-me do perseguidor, mas poderei chegar do outro lado com doença de rato, tétano, hepatite e chikungúnia. Com um pouco de azar, poderei, ainda, ser multado por crime ambiental...


            Dobrei para a esquerda. Corri para a próxima ponte. O homem do cabelo estranho parou na beira do Arroio. Não gostou do que viu.  Com muita raiva, jogou o martelo na água “mineral”. O “carpinteiro” ouvia vozes, via personagens ... Na Avenida IPIRANGA, tive que diminuir o ritmo. Mendigos dormiam na calçada. Parece que o pessoal da Assistência Social não se lembra deles ...Todos têm cães. Para acabar com a pobreza, nenhum patriota deve dormir de dia. “ À Pátria tudo se dá!” Que saudade dos governos fortes! O BRASIL é mais feliz sob governo de pulso firme!


            Meu perseguidor implacável foi atacado pela cachorrada. Não desistiu. Entrou numa ferragem. Mistério. Com o “melãozinho” funcionando em baixa voltagem, eu não conseguia pensar direito. Entrei na Rua DUQUE DE CAXIAS. Entramos. Não sei se o cheiroso era esquizofrênico. Mas era atleta! Lembrei-me do poderoso SANTO ANTÔNIO. Ele atendia à minha Família na hora. Eu precisava que  me ajudasse de novo...


            Cruzei por algumas senhoras. Estavam maravilhadas com a roupa de um jovem. Mostrava, parcialmente, uma peça íntima colorida. Aparecia um pedaço do cofrinho. Que bonito! O homem do cabelo com graxa parou. Interessou-se. Distraiu-se. Gostou de alguma coisa. O trânsito estava parado. Aproveitei a confusão. Entrei na Catedral. Que alívio!


            Tratei de sumir. Passei por uma porta na parede do lado direito. O senhor BISPO fazia uma palestra. Ele me reconheceu: “Olá, CLAUDIO! Tu  vais fazer o Curso?” Respondi: com certeza! Ele continuou: “O HENRY ainda está no Seminário?” Respondi: de que HENRY o senhor está falando? Enquanto o BISPO pensava, tocou o sino. Acabou a Palestra...


            Saí da Catedral no meio da multidão, para não ser reconhecido. Fiquei mais calmo ao ver que a segurança era de peso: dois Soldados. Um era gordo. O outro, obeso. Disciplinados e  prestativos. Avistei, do outro lado da Rua, o meu furioso perseguidor, entrando na Assembléia Legislativa. Levava na mão direita um martelo novo ... Que perigo! Espero que os Deputados não perguntem nada ...


( Inspirado em fatos reais )


CLAUDIO FREDERICO VOGT



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