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A cidade e o menino. Por Claudio Frederico Vogt


Data de publicação: 9 de novembro de 2015
Coluna: Coronel Vogt
Colunista: Coronel Vogt




Recordar  emociona num segundo.


Minha bicicleta de três rodas!


Conquistava o mundo.


A bola de couro número dois!


Que foi embora depois...


No Natal de não sei quando,


a  bondosa Mãe me deu um presente:


sapato novo, bonito ...


No meio daquela gente,


um dia me fez chorar,


por não saber o cadarço atar.


Às vezes, da valorosa Mãe apanhando,


por deitar as poucas melenas.


Não raro, sujo, ao lar voltando,


num constante vai-e-vém.


Tantas vezes, minhas pernas pequenas


foram vencidas...


nos degraus do armazém.


A Mãe, trabalhadora exemplar,


fazendo doce novo:


merengue, sagu ou pudim ...


Quase sempre para mim!


O Pai, lendo o Correio do Povo,


citando provérbios sem fim ...


Quanta honestidade ele tinha!


Uniu a Família, aos pés da Capelinha ...


Na parede do Cine Guarany,


o ninho das andorinhas ...


livres, alegres, rasantes ...


sempre voltavam para me ver.


Nos bares da vida, apaixonados  errantes ...


Prêmios nos refrigerantes ...


Nada é como antes!


Ao tomar chimarrão, numa tarde fagueira,


o Pai ensinou pérolas para a vida ...


Versos com beleza, emoção de primeira ...


Uma cobra verde constrangida,


atrapalhada, caiu da bergamoteira ...


Um pouco de tudo eu queria saber.


Mas para onde correr


nem sempre sabia.


O Gran Ringli Circus desfilando na Avenida.


O caminhão de Montenegro carregado de melancia.


Uma briga de facas no Catumbi ...


Com  insensata ferida,


o Sarandiense VERCI ...


tombava sem vida ...


Por que tinha que ser assim? 


O passar dos anos também levou


aquela manhã eufórica


em que, sorrindo, a Mãe me chamou ...


para ver a grande nevasca...


Um rádio de mesa espalhava canções.


O fogão à lenha assava pinhões.


Na janela, apaixonado, um guri canta e  chora...


E a neve  caindo lá fora ...


Caminhando para um Colégio distante do lar abençoado,


com minha pasta de couro marron,


aprendi que o belo é limitado ...


Encharcado de mel, o sanduíche meu 


ensinou  agradecer as coisas pequenas


que a vida me deu ...


Vivendo perto de DEUS, descobri a honestidade


e  valores sem fim.


Num domingo, na missa da Matriz,


o admirável Padre ERVINO 


ensinou que o sagrado sino


sempre batia por mim ...


Meu cachorrinho preto, manso, engraçado,


pelo Pai, MIPI foi batizado.


Numa tarde de verão,


distraído pela distração,


perdi o mimoso cãozinho sim!


Num mundo sem começo,


num potreiro sem fim ...


O que a Cidade quer do menino?


Ela quer a felicidade no caminho ...


O que o menino quer da Cidade?


Que encontre o cachorrinho ...   


Quando eu não tinha os dentes da frente,


meu gato era preto e branco,


de pelo macio, reluzente,


que a Mãe chamava de ZEU ...


Na porta do meu quarto,


de saudade quase morreu,


quando a Águia me levou


para um Porto distante,


que nunca foi meu ... 


Lembranças douradas,


de inesquecíveis jornadas ...


Da sombra do umbu,


na beira do Rio Bonito.


Do guarda-noturno, o apito ...


Do cheiro das uvas maduras...


Dos pirilampos das noites escuras ...


Não aprendi a esquecer ...


Da tábua da esperança e do pinheiro,


do tijolo da bondade e da olaria,


vi crescer uma Cidade,


vi nascer um novo dia ...


Com as mãos dadas a amizade,


a paz e a valentia ... 


Meu pequeno SARANDI,


ainda ontem, chorei por ti!


Gramados de emocionantes torneios ... 


Povo religioso e colaborador,


compra todos números de sorteios ...


Meninas sinceras e lindas,


no clarão do luar,


serenatas  infindas ...


Meu querido lugar


da esperança, do trigo, do milho,


do Baile do Harmonia, do sonho, do brilho ...


Em dia de festa, os Cometas do JOÃOSITO cantor...


Em noite de estrelas, um disco-voador ...


Um mundo maravilhoso me deram os Pais,


os passarinhos, o bodoque, os animais ...


a bola, as bolitas, as águas...


Os desonestos me deram as mágoas ...


Tentando sobreviver a pequenas partidas,


aprendi cicatrizar as grandes feridas ...


Não precisavam me dizer


que a JOVILDE pouco estudo tinha ...


Ela nunca deixou de ser...


a nossa Rainha!


Não quero fazer agouro:


nem moeda de ouro


compra de volta da vida a aurora...


Mas não chore, nesta hora,


meninada de outrora:


lembrança é tesouro!


Recordar emociona num segundo.


Minha bicicleta de três rodas!


Navegava pela Cidade.


Conquistava o mundo.


A bola de couro número dois ...


Punhado de dias felizes!


De uma felicidade


que foi embora depois ...


                                           CLAUDIO FREDERICO VOGT


                                                   Coronel do Exército 


Recordar  emociona num segundo.


Minha bicicleta de três rodas!


Conquistava o mundo.


A bola de couro número dois!


Que foi embora depois...


No Natal de não sei quando,


a  bondosa Mãe me deu um presente:


sapato novo, bonito ...


No meio daquela gente,


um dia me fez chorar,


por não saber o cadarço atar.


Às vezes, da valorosa Mãe apanhando,


por deitar as poucas melenas.


Não raro, sujo, ao lar voltando,


num constante vai-e-vém.


Tantas vezes, minhas pernas pequenas


foram vencidas...


nos degraus do armazém.


A Mãe, trabalhadora exemplar,


fazendo doce novo:


merengue, sagu ou pudim ...


Quase sempre para mim!


O Pai, lendo o Correio do Povo,


citando provérbios sem fim ...


Quanta honestidade ele tinha!


Uniu a Família, aos pés da Capelinha ...


Na parede do Cine Guarany,


o ninho das andorinhas ...


livres, alegres, rasantes ...


sempre voltavam para me ver.


Nos bares da vida, apaixonados  errantes ...


Prêmios nos refrigerantes ...


Nada é como antes!


Ao tomar chimarrão, numa tarde fagueira,


o Pai ensinou pérolas para a vida ...


Versos com beleza, emoção de primeira ...


Uma cobra verde constrangida,


atrapalhada, caiu da bergamoteira ...


Um pouco de tudo eu queria saber.


Mas para onde correr


nem sempre sabia.


O Gran Ringli Circus desfilando na Avenida.


O caminhão de Montenegro carregado de melancia.


Uma briga de facas no Catumbi ...


Com  insensata ferida,


o Sarandiense VERCI ...


tombava sem vida ...


Por que tinha que ser assim? 


O passar dos anos também levou


aquela manhã eufórica


em que, sorrindo, a Mãe me chamou ...


para ver a grande nevasca...


Um rádio de mesa espalhava canções.


O fogão à lenha assava pinhões.


Na janela, apaixonado, um guri canta e  chora...


E a neve  caindo lá fora ...


Caminhando para um Colégio distante do lar abençoado,


com minha pasta de couro marron,


aprendi que o belo é limitado ...


Encharcado de mel, o sanduíche meu 


ensinou  agradecer as coisas pequenas


que a vida me deu ...


Vivendo perto de DEUS, descobri a honestidade


e  valores sem fim.


Num domingo, na missa da Matriz,


o admirável Padre ERVINO 


ensinou que o sagrado sino


sempre batia por mim ...


Meu cachorrinho preto, manso, engraçado,


pelo Pai, MIPI foi batizado.


Numa tarde de verão,


distraído pela distração,


perdi o mimoso cãozinho sim!


Num mundo sem começo,


num potreiro sem fim ...


O que a Cidade quer do menino?


Ela quer a felicidade no caminho ...


O que o menino quer da Cidade?


Que encontre o cachorrinho ...   


Quando eu não tinha os dentes da frente,


meu gato era preto e branco,


de pelo macio, reluzente,


que a Mãe chamava de ZEU ...


Na porta do meu quarto,


de saudade quase morreu,


quando a Águia me levou


para um Porto distante,


que nunca foi meu ... 


Lembranças douradas,


de inesquecíveis jornadas ...


Da sombra do umbu,


na beira do Rio Bonito.


Do guarda-noturno, o apito ...


Do cheiro das uvas maduras...


Dos pirilampos das noites escuras ...


Não aprendi a esquecer ...


Da tábua da esperança e do pinheiro,


do tijolo da bondade e da olaria,


vi crescer uma Cidade,


vi nascer um novo dia ...


Com as mãos dadas a amizade,


a paz e a valentia ... 


Meu pequeno SARANDI,


ainda ontem, chorei por ti!


Gramados de emocionantes torneios ... 


Povo religioso e colaborador,


compra todos números de sorteios ...


Meninas sinceras e lindas,


no clarão do luar,


serenatas  infindas ...


Meu querido lugar


da esperança, do trigo, do milho,


do Baile do Harmonia, do sonho, do brilho ...


Em dia de festa, os Cometas do JOÃOSITO cantor...


Em noite de estrelas, um disco-voador ...


Um mundo maravilhoso me deram os Pais,


os passarinhos, o bodoque, os animais ...


a bola, as bolitas, as águas...


Os desonestos me deram as mágoas ...


Tentando sobreviver a pequenas partidas,


aprendi cicatrizar as grandes feridas ...


Não precisavam me dizer


que a JOVILDE pouco estudo tinha ...


Ela nunca deixou de ser...


a nossa Rainha!


Não quero fazer agouro:


nem moeda de ouro


compra de volta da vida a aurora...


Mas não chore, nesta hora,


meninada de outrora:


lembrança é tesouro!


Recordar emociona num segundo.


Minha bicicleta de três rodas!


Navegava pela Cidade.


Conquistava o mundo.


A bola de couro número dois ...


Punhado de dias felizes!


De uma felicidade


que foi embora depois ...


                                           CLAUDIO FREDERICO VOGT


                                                   Coronel do Exército 


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