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Dois meses após a enchente, cerca de 15 mil cães e gatos resgatados ainda vivem em abrigos no RS

Cuidado e destino dos animais atingidos pelas inundações foi tema de audiência pública na Assembleia Legislativa

Diante da urgência na ajuda humanitária, o drama de animais atingidos pelas inundações no Rio Grande do Sul acaba ficando em segundo plano. Por serem igualmente vítimas do desastre natural histórico, a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia legislativa colocou o tema.

Nesta tarde, a comissão promoveu audiência pública para avaliar as condições de acolhimento e o destino dos cerca de 15 mil cães e gatos que ainda vivem em abrigos em todo o Estado. Atendimento de saúde, alimentação e falta de pessoas são os principais problemas apontados.

Presente no encontro, a promotora de justiça do Ministério Público gaúcho (MPRS), Annelise Monteiro Steigleder, afirmou que além de estarem no limite da capacidade, os abrigos temporários carecem de estrutura e de pessoas para atender aos animais acolhidos. Ela cobra do governo estadual e de prefeituras a proposição de políticas públicas para encaminhar a adoção. “Minha preocupação é no médio e no longo prazo, porque os abrigos foram constituídos no improviso, como não podia deixar de ser naquele momento tão dramático, mas agora, passados dois meses do início das enchentes, nós temos que avançar para políticas públicas permanentes que possam fomentar a adoção”, aponta.

A curto prazo, além do controle populacional e das condições de saúde, a sustentabilidade financeira dos abrigos preocupa a representante do MPRS. “Os abrigos estão no limite, com escassez de voluntários e começaram a aparecer também alguns problemas ligados à burocracia. São lugares que foram ocupados sem um termo de sessão de uso, o custo relacionado à manutenção, contas de luz e água chegando, situações relacionadas às medicações dos animais e agora a gente está vivendo um surto de Cinomose (doença infectocontagiosa que afeta cães causada por vírus)”, alerta a promotora de Justiça.

O governo do estado anunciou um plano para promover a adoção dos animais, propondo o pagamento de R$ 450 por animal resgatado da enchente que seja adotado, e cada pessoa poderá adotar até dois animais. Serão duas parcelas de R$ 225, uma na adoção e outra após três meses, mediante um acompanhamento para garantir o bem-estar do animal adotado, feito pelas prefeituras.

A medida preocupa protetores de animais, ONGs, veterinários, voluntários e trabalhadores de abrigos que participaram do debate. A justificativa é receio com possíveis abandonos após o recebimento do dinheiro.

A deputada Luciana Genro (PSOL), propositora da audiência pública, citou também temor com ausência de estrutura de parte de algumas prefeituras para promover e acompanhar adoções. “É claro que incentivamos a adoção, mas precisamos pensar em caminhos benéficos para os animais”, aponta.

Fotos:

Fabiano do Amaral

Fonte:

Correio do Povo

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