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Os desafios de manter o futsal no menor município da Série A do Gauchão

Com 4,2 mil habitantes, Novo Barreiro é a casa da ANBF, criada em 2019 e que está na primeira divisão pelo segundo ano consecutivo. O presidente Alisson Brizolla explica como a equipe de 16 diretores faz para manter vivo o time que se tornou a maior atração de lazer da cidade e um fator de geração de emprego e renda

Os sábados à noite em Novo Barreiro nunca mais foram os mesmos depois da criação da ANBF. A Associação Novo Barreiro Futsal, criada em 2019 no município de 4,2 mil habitantes localizado no norte do Rio Grande do Sul, teve uma rápida ascensão na Liga Gaúcha e, desde 2023, figura na primeira divisão do campeonato estadual. 

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Para 2024, um desafio ainda maior se impôs à equipe: o time precisou ser remontado do zero, com a contratação de 13 jogadores, porque todos os atletas da temporada anterior seguiram para outros clubes. Não foi problema: no primeiro jogo desta temporada no Gauchão, vitória em casa sobre o Guarani-FW por 5 a 1. 

Entre os municípios representados na Série A, Novo Barreiro é o menor. Depois, aparecem Entre-Ijuís, com 8,4 mil habitantes, e Casca, com 9,4 mil. 

Dezenas de patrocinadores

Em uma economia basicamente rural, com foco na soja, milho e erva-mate, conseguir patrocinadores para pagar os salários e custear as viagens não é uma tarefa fácil. De acordo com o presidente da ANBF, o bancário Alisson Brizolla, 28 anos, o orçamento para manter a equipe ativa é de, aproximadamente, R$ 500 mil ao ano. O valor considera, inclusive, o que é gasto com o aluguel para os jogadores — em 2024, todos vêm de fora de Novo Barreiro. 

São 75 empresas patrocinadoras, a maioria delas contribui com cotas pequenas, de R$ 100 a R$ 200 por mês. Metade dos investidores não são de Novo Barreiro. Para efeitos de comparação, o orçamento anual do Atlântico, de Erechim, gira em torno de R$ 4 milhões

— Diferentemente do ano passado, nesse ano, conseguimos ter um projeto junto ao Pro-Esporte (lei que permite o incentivo ao esporte por meio da isenção fiscal para empresas) — comenta Brizolla. 

O dirigente, que divide as funções administrativas com 15 companheiros, sente falta de mais apoio do poder público. Segundo ele, a prefeitura não aporta recursos na ANPF. Brizolla acredita que a equipe deveria receber uma atenção especial, pois gera 25 empregos e fomenta a economia local, principalmente os restaurantes, com os jogos realizados em Novo Barreiro. 

Os diretores (a partir da esquerda) Elvis, Douglas, Marcelo, Alisson, Jair, Maurício e Vilmar fazem parte da gestão da ANBF – ANBF / Divulgação

Centenas de sócios

A comunidade, por outro lado, tem abraçado o time. Mais de 1 mil camisetas da ANBF foram vendidas no ano passado. O clube mantém uma linha de vestuário para arrecadar recursos, assim como um plano de sócios — que já chegam a 200. 

A fama é tanta que, nas próximas semanas, a ANBF dará início à sua escolinha de futsal. Segundo Brizolla, serão mais de 60 crianças e adolescentes, entre meninos e meninas, com aulas no Ginásio Esportivo de Novo Barreiro, o mesmo que recebe as partidas da equipe principal. 

— Se não fosse a comunidade, não sei o que seria da nossa equipe. Os pais compram as roupas do time para as crianças irem para a escola. É muito legal de ver. O que você vai fazer numa cidade de 4 mil habitantes em um sábado de noite? O time se tornou muito forte no município — explica. 

Em 2023, a ANBF se classificou na 16ª posição da fase classificatória e caiu para a ACBF nas oitavas de final. No jogo de ida, em Novo Barreiro, a estimativa de público foi de 1 mil pessoas. Ou seja, cerca de um quarto da população do município estava dentro do ginásio. 

— Queremos continuar crescendo. Para essa temporada, o nosso objetivo é se classificar do meio da tabela em diante para decidirmos as oitavas de final em casa, pelo menos, e conseguir avançar para as quartas. Quem sabe, conseguimos chegar entre os quatro melhores — avalia o presidente. 

A próxima partida da ANBF é contra o Lagoa Vermelha, em Sananduva, em 6 de julho (sábado), às 20h.  

Créditos:

RAFAEL FAVERO

Fotos:

ANBF / Divulgação

Fonte:

GZH

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